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Por que falamos tanto de Fair Trade?

Gostaria de começar este artigo lembrando que escrevo sobre Fair Trade. Muita gente me pergunta, mas afinal de contas o que é isso e porque o Procurement Club acredita que este conceito seja tão importante assim?

Nosso colunista e grande amigo Alexis Pagliarini recentemente postou aqui um artigo onde ele traçou um paralelo entre o ESG e o Fair Trade. Vale a pena dar uma lida. Ele acertou na mosca e com precisão. De fato, muito da proposta do ESG também é prática convergente no Fair Trade.

A esta altura de sua leitura você deve estar se perguntando, sim, mas o que isso tem a ver com as empresas e a realidade do mundo corporativo. O que tenho a ver com tudo isso? Me dedico e faço meu trabalho de forma honesta e dedicada. Me considero um profissional reconhecido e bem sucedido.

Bem, gostaria de antes de continuar, explicar aqui que sou engenheiro de formação. Tudo que vou apresentar abaixo é fruto de reflexões lógicas e pura observação do entorno corporativo. Não estou falando agora de ideologias, sentimentos íntimos ou crenças. Apenas de pura lógica. Então vamos lá:

As empresas são em sua essência um microcosmo da sociedade onde seus funcionários vivem. Todos, do analista júnior ao CEO, levam para o trabalho todas as influências que compartilham dessa mesma sociedade. Influências essas que os afetam de forma indistinta. O mundo está cada vez menor. A velocidade da informação é absurda. Estamos cada vez mais conectados, integrados a um todo. Portanto não dá para dizer que uma empresa sozinha seja uma ilha isolada do contexto social. Isso é impossível, pois seus funcionários, clientes, investidores e demais stakeholders compartilham disso tudo.

Diante desta constatação óbvia podemos concluir que se as empresas não levarem em consideração essas mesmas preocupações coletivas que povoam a mente de todos seus stakeholders, ela deixa de ter proposito ou função, deixa de fazer sentido, deixa de se conectar com o mundo a seu redor. (Esta conclusão é coisa de engenheiro). Lembrando que o termo "coletivas" que empreguei aqui, não por acaso, remete a uma outra palavra importante: "Social"; palavra esta que vem integrada em uma das agendas corporativas mas badaladas do momento, o ESG.

Isso per si coloca um desafio ainda maior para as lideranças dessas empresas. Não dá mais para pensar apenas no Resultado. O Resultado não sai para tomar um cafezinho ou para umas cervejas após o expediente. Ele não tem filhos para abraçar, amigos para toda hora, esposa(o) para amar. Até mesmo um pet para curtir.

A verdade é que o Resultado sozinho não faz sentido. E este é de fato o grande desafio. Como tocar o negócio da empresa olhando além dele. Como acordar todos os dias e se levantar da cama com o sentimento de que “hoje eu vou fazer a diferença para as pessoas e porque não para o mundo em que vivo”. Vamos dar lucro, vamos crescer, sim! Mas isso é muito, muito pouco diante do que podemos fazer. Diante do que podemos deixar de contribuição a sociedade, como nosso legado, nossa marca. Não vamos ser apenas mais um.

Por diversas vezes ouvi a seguinte frase por parte de boas empresas pelas quais passei, “nós não estamos aqui para beijar criancinhas ou abraçar árvores”.

Ocorre que vivemos em um mundo cada dia mais caótico, onde a natureza agoniza e muitos estão morrendo por guerras estúpidas ou por algum novo vírus letal. Alguns compram ossos para comer por falta de recursos para uma refeição decente. Outros preparam seus alimentos com lenha pois não tem mais dinheiro para o uso do gás. E ainda acabamos, em meio a pandemia, por descobrir 40 milhões de brasileiros considerados invisíveis, fora do alcance dos programas sociais de todos os governos até aqui. E isso é só a ponta do iceberg deste mundo tão desigual. Quantos estão por ai a espera apenas de uma oportunidade? Dá para facilmente perceber que existem pautas bem mais importantes e urgentes além da busca pelo simples Resultado. Ele deveria ser, portanto, o meio e não o fim. Afinal enquanto o mundo derrete continuamos aqui trabalhando para ele. E assim vamos vivendo nossas vidas, entregando o que nos é solicitado e nos faltando tempo e energia para todo o resto.

Mas dá para ser diferente. Por isso falamos tanto do Fair Trade para nossa comunidade de Compras. Deixo aqui, como sugestão para quem quiser começar, nossos 10 princípios. Podem escolher qualquer um deles para darem seus primeiros passos. E se precisarem de alguma ajuda ou de voluntários em suas iniciativas contem comigo. Estou a disposição de vocês para sua jornada e assim começarmos juntos a fazermos a diferença.

1 comentários
cleide de freitas
cleide de freitas Comentou em 16 de maio de 2022
Excelente reflexão André. Pequenas atitudes geram grandes mudanças, mentes individuais buscando resultados coletivos, mas é preciso começar. Bons exemplos têm efeito multiplicador. Parabéns pelo artigo.

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