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O que é GREEN HUSHING?

GREENWASHING é o termo utilizado para aquelas empresas que se declaram compromissadas em práticas de sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa mas, na verdade, tudo não passa de uma fraude, mera especulação ou propaganda enganosa. A prática consiste em enganar a comunidade e os consumidores em geral, fazendo-se passar por uma empresa consciente e sustentável mas com objetivos nada nobres, tais como para captar recursos em bancos de investimentos de forma mais fácil ou simplesmente para ludibriar seus clientes visando aumentar a sua performance comercial, tentando inflar sua reputação através de estratégias ardilosas e até mesmo criminosas.

Diante das ameaças de reputação e problemas legais, algumas empresas optam por não comunicar suas metas de ESG (Environment, Social & Governance ou, em uma tradução livre, Governança Ambiental, Social e Corporativa), deixando-as simplesmente omissas, causando um certo “vácuo” na divulgação de seus balanços institucionais, que envolvem não só aspectos financeiros e tangíveis, como também iniciativas dos ativos intangíveis, reconhecido no mercado como “balanço social”.

Assim sendo, um novo termo surgiu para esta prática, que é ocultar do mercado as respectivas metas de ESG: GREEN HUSHING.

GREEN HUSHING refere-se a empresas que propositadamente mantêm silêncio a respeito de suas metas de sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa, mesmo que sejam bem intencionadas ou viáveis, por medo de serem rotuladas como GREENWASHING.

O termo GREEN HUSHING ganhou repercussão depois de outubro de 2022, quando a consultoria suíça de financiamento de carbono South Pole destacou esta tendência em uma pesquisa, na qual 1.200 empresas com foco em sustentabilidade não estavam divulgando conquistas “além do mínimo”. O relatório chamou a tendência de “preocupante”, porque a publicação de ações sustentáveis tem o poder de inspirar outras pessoas, mudar mentalidades, impactar regulações e incentivar a colaboração entre as empresas e a comunidade.

Em recentes pesquisas a respeito deste movimento, descobriu-se também que varejistas tinham restrições de rotular um produto como sustentável ou derivado de “Fair Trade”, sendo que a maioria do seu portfólio de produtos não provinha de fornecedores tão bem posicionados no que se refere à sustentabilidade. Ou seja, essa combinação de ofertas, sustentáveis e não sustentáveis, traria uma confusão de conceitos ao cliente, que seria melhor unificar o entendimento a respeito dos produtos e nada divulgar a respeito de boas práticas promovidas por apenas alguns fornecedores.

Impactos jurídicos também não passam desapercebidos no que se refere ao GREENWASHING. Neste contexto, nos últimos anos, processos foram movidos para sanear e impedir empresas de se locupletar indevidamente de qualquer tipo de reputação ilegítima. Como exemplo, temos a ação judicial contra a Dasani por alegar que suas garrafas de água eram 100% recicláveis e contra a Kroger, por alegar que seu protetor solar era “amigo dos recifes”.

Entretanto, a grande verdade é que as empresas devem mesmo é sempre praticar as boas práticas de sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa. Não importa se mantiverem, ou não, ocultas a respeito de suas conquistas, praticando ou não o denominado GREEN HUSHING. Obviamente, seria melhor se anunciassem, pois qualquer tipo de comunicação incentiva terceiros e a comunidade a também adotarem práticas sustentáveis.

O que não é concebível, no atual estágio da economia global capitalista em que vivemos, é que as empresas ao menos não diagnostiquem ou contabilizem suas iniciativas em sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa. Conhecer a si mesmo é, antes de tudo, ter controle sobre seu destino.

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