Um dos mais importantes indicadores econômicos da atualidade soube explorar uma carga de conhecimento e de informações que nós – executivos de compras – muitas vezes sequer percebemos que possuímos.
Toda manhã, com uma xícara de café, leio o terminal de notícias, tentando filtrar aquelas que serão úteis para o meu negócio, ou que poderão impactá-lo no futuro. Os temas do momento passam pela volatilidade nos preços das commodities, as filas de navios nos portos e decisões dos bancos centrais em ajustar suas taxas de juros. Mas há também, como de costume, algo ressaltando a evolução do “Indicador dos Gerentes de Compras”.
Sigo na leitura: nos jornais, analistas estão interpretando o indicador recém-publicado e tentando inferir sobre qual será seu reflexo na economia, na taxa de inflação, na geração de empregos. Todos esses fatores – e muitos outros – podem ser analisados e monitorados pela variação do PMI, o indicador que, como “gerente de compras”, ajudei a compor.
E é isso mesmo. Todos os meses, entre o décimo-segundo e o vigésimo-quinto dia de cada mês, recebo em minha caixa de e-mails a pesquisa do PMI – Purchasing Managers’ Index, em inglês, como é mundialmente conhecido ou, em tradução livre, o Indicador dos Gerentes de Compras. Uma pesquisa objetiva, clara e fácil de responder, que registra mensalmente minha contribuição – na visão da minha empresa – para um dos indicadores econômicos mais relevantes, acessado por analistas econômicos e políticos, economistas, planejadores corporativos e estrategistas ao redor do globo.
Na verdade, o trabalho de colaboração para a composição do PMI é imenso – enquanto eu respondo à pesquisa, executivos de compras (e, também, financeiros, de manufatura, comerciais e outros) de cerca de 800 empresas brasileiras fazem o mesmo. Metade dessa amostra está no segmento de serviços, a outra parte no segmento de manufatura. E, no mundo, concomitantemente, executivos de 44 países, em cerca de 28 mil empresas, participam, dando sua contribuição, todos os meses.
O PMI é um indicador econômico poderoso, resultado da investigação de aspectos palpáveis do dia a dia dos profissionais entrevistados, sobre a atividade realizada e, às vezes, esperada de suas empresas, no curto prazo. A estrutura das questões pesquisadas foi elaborada para melhorar a compreensão do desempenho econômico dos países, quase que em tempo real, como alternativa aos diversos indicadores disponíveis, elaborados e publicados por órgãos oficiais (privados ou governamentais), que usualmente são atualizados e/ou produzidos de forma complexa, pouco transparente e lenta, além de estarem sujeitos a revisões futuras relevantes e indesejadas. Essa forma ágil de coletar, elaborar e publicar informações – uma forma de nowcasting – é a característica mais marcante e vantajosa do PMI. Na verdade, o PMI apresenta uma opção que permite acessar a informação agora, ao invés de “daqui a alguns meses”.
Os relatórios publicados pelo PMI são acessados por representantes governamentais, instituições financeiras e empresas, para projetar, analisar e monitorar inúmeras variáveis econômicas como, por exemplo, o PIB, a atividade dos segmentos de manufatura e serviços, indicadores de inflação, preços de insumos ao produtor, indicadores de exportação e comércio internacional, indicadores de emprego, produtividade, lucratividade das empresas, variação nos pedidos de bens duráveis, pedidos em atraso, indicadores de capacidade fabril, tempos de entrega dos fornecedores, indicadores de estoques e atividades de compras.
É uma amostra bastante rica de informações, tratada criteriosamente segundo uma metodologia padronizada e de eficiência comprovada, entregando um nível satisfatório de correlação com os indicadores similares oficiais, que, como dissemos, ficarão disponíveis somente muito tempo depois.
Nesse momento, você pode estar se perguntando: por que é que os gerentes de compras foram eleitos, dentre tantos outros cargos e profissões, a servirem de base para a composição de um indicador econômico tão importante? A resposta é um tanto bela é inspiradora, e pode ser obtida diretamente da fonte – o website da Standard & Poors[1], organização responsável atualmente pela publicação do indicador:
“Os gerentes de compras formam, na verdade, uma base de pesquisa ideal, especialmente na manufatura. Eles têm acesso a uma ampla variedade de informações, que não se aplica a muitos outros gerentes. Eles sabem quando as empresas estão contratando mais funcionários, pois terão que comprar mais computadores ou mais equipamentos para os novos funcionários. Eles sabem se a empresa está planejando um novo impulso de vendas, pois terão que aumentar os níveis de estoque de materiais diretos. Em tempos de desaceleração econômica, eles provavelmente saberão se a empresa está planejando reduzir a capacidade produtiva mais cedo do que qualquer outra pessoa, pois terão que ajustar os volumes de compras. Então, os gerentes de compras formam o tipo ideal de base de informação”
Por outro lado, há dois fatores importantes, que são levados em conta pelas equipes responsáveis pela pesquisa, na seleção das empresas ideais para comporem a pesquisa: o tamanho da empresa e o segmento onde está inserida. Empresas menores e, muitas vezes, empresas prestadoras de serviços tendem a não possuir áreas de compras organizadas ou, quando possuem, acabam comprando apenas material de escritório e outros consumíveis. Essas características tornam, obviamente, tais empresas inelegíveis para a composição da pesquisa.
Outro aspecto interessante: grandes empresas podem ter vários funcionários participantes da pesquisa, em áreas diversas, como diretores financeiros, gerentes sêniores e executivos do board de diretores.
Eu gostaria de convidá-lo a conhecer melhor o PMI, sua composição e potenciais utilizações, além de como o indicador em si é calculado e deve ser interpretado – outra bela característica do indicador, que pode ser verificada com a devida profundidade no link disposto no fim deste texto.
O fato é que, se você é um executivo de compras e ainda não contribui para a composição do PMI, deveria pensar seriamente em fazê-lo[2], além de convencer outros executivos sêniores de sua organização a contribuírem, também. O PMI não existe sem você.
[1] Conheça melhor o PMI em https://ihsmarkit.com/videos/pmi-101.html
[2] Uma equipe profissional e gentil está à disposição e pode ser acessada pelo e-mail pesquisa@larc.com.br
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