De tempos em tempos, novos termos surgem no mercado. Alguns desaparecem ou perdem força da mesma forma repentina com que surgem. Não é o caso do ESG.
Essas 3 letras, que significam, em inglês, Enviromental, Social e Governance, trazem uma preocupação renovada com as questões ambientais, a responsabilidade social e a governança ética, justa e transparente. Tais preocupações não são novas, já convivíamos com o CSR (Corporate Social Responsability) e os pontos apregoados pelo Capitalismo Consciente, movimento criado por volta de 2003.
O que esses primeiros movimentos pregavam era uma mudança de postura das empresas, que deveriam focar não somente o bem dos seus shareholders (acionistas), mas, também, de todos os stakeholders, ou seja: colaboradores, fornecedores, revendedores, consumidores e a sociedade, como um todo. Mais recente, esse capitalismo consciente vem sendo chamado de Capitalismo de Stakeholders.
Mas não seria por mera benemerência ou altruísmo que as empresas começavam a se preocupar com o bem da sociedade.
Primeiro, é a percepção e comprovação dos indicadores que demonstram que o lucro não está dissociado de uma atitude mais respeitosa com os stakeholders. Ao contrário, o que eles demonstram é que empresas mais conscientes lucram mais.
Mas o que impulsiona as empresas mais recentemente é a posição firme de alguns fundos de investimentos, capitaneados pelo Black Rock, fundo que administra nada menos do que 10 trilhões de dólares. O Black Rock, seguido por outros fundos, declarou que só aceitará em seu portfólio empresas que apresentem resultados consistentes, não só na área financeira, mas também nas suas ações em sintonia com os princípios ESG. Isso foi o suficiente para mobilizar empresas de todos os tipos e portes para colocar em prática projetos de proteção ambiental, responsabilidade social e governança ética.
E, assim, essa onda vem impactando empresas de todo o mundo, pressionadas também pela sociedade, que, acompanhando o movimento, exigem essa postura como condição para investir e até para decidir pela compra de produtos e serviços.
E isso tudo impacta também o ambiente de procurement. Tendo os preceitos de Fair Trade como pano de fundo, é fácil constatarmos sua ligação estreita com os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, com os princípios ESG e o Capitalismo de Stakeholders. Quando a WFTO (World Fair Trade Organization) estabeleceu os 10 princípios, certamente se espelhou nos valores mais abrangentes, presentes nos 17 ODS e no Capitalismo Consciente.

Senão, vejamos:
Princípio 1: Oportunidades para produtores em desvantagem. Tem tudo a ver com o ODS 10 (Redução de desigualdades) e com o ODS 8 (Trabalho decente e crescimento econômico), além de se alinhar ao capitalismo consciente, de stakeholders.
Princípio 2: Transparência e responsabilidade. Total aderência ao “G” do ESG, que prega uma governança ética e transparente.
Princípio 3: Práticas de comércio justo. Reflete as premissas do ODS 16 (Paz, justiça e instituições eficazes), além de ter igualmente total aderência às preocupações do “G” do ESG e de capitalismo consciente.
Princípio 4: Pagamento justo. Tem a ver com um capitalismo consciente e com os preceitos inerentes à letra G, do ESG.
Princípio 5: Nada de trabalho infantil. Nada de trabalho forçado. Princípio ético totalmente relacionado aos ODS 3 (Saúde e bem estar); 8 (Trabalho decente e crescimento econômico); 10 (Redução das desigualdades) e 16 (Paz, justiça e instituições eficazes). Foco no “S” de ESG.
Princípio 6: Nada de discriminação. Igualdade de gêneros. Liberdade de associação. Tudo a ver com o ODS 5 (Igualdade de gêneros), o ODS 10 (Redução das desigualdades) e o ODS 16 (Paz, justiça e instituições eficazes). Também aderente ao “S” de ESG.
Princípio 7: Boas condições de trabalho. Total aderência ao ODS 8 (Trabalho decente e crescimento econômico) e ao “S” de ESG.
Princípio 8: Capacitação. Tem a ver com o ODS 4 (Educação de qualidade) e o 8 (Trabalho decente e crescimento econômico). Vertente ligada ao lado Social do ESG.
Princípio 9: Promoção do fair trade. Ligação com o ODS 17 (Parcerias e meios de implementação)
Princípio 10: Respeito pelo meio ambiente. Total adequação ao “E” de ESG, além de uma ligação clara com os ODS 6 (Água potável e saneamento), 7 (Energia limpa e acessível), 12 (Consumo e produção responsáveis), 13 (Ação contra mudança global do clima), 14 (Vida na água) e 15 (Vida terrestre)
Por isso tudo, se o ESG ainda não está na sua agenda de prioridades, prepare-se! Essas 3 letras vão impactar sua forma de trabalhar e se relacionar com seus fornecedores.
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