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O Dólar Caiu, Vai Cair O Preço?

A cerca de 2 anos atingíamos o maior valor do dólar desde o surgimento do Real em 1994, com a cotação de 5,86 reais por dólar.

Nesse período os preços dos itens indiretos comprados pelas empresas tiveram que ser reajustados, em muitos casos mesmo havendo contrato de fornecimento que não permitem alteração de preço durante sua vigência.

Isso só foi possível devido ao bom senso da maioria dos compradores e de cláusulas de inviabilidade econômica ou de caso fortuito e força maior, presente na maioria desses contratos, que tiveram que ser considerados por clientes e fornecedores uma vez que de fato vivíamos numa emergência epidemiológica, e o fornecimento sem reajuste poderia gerar enormes prejuízos aos fornecedores.

Desde então enfrentamos a pandemia, e agora enfrentamos uma guerra. O cenário econômico mudou e chegamos ao dólar de 4,62.

Analistas econômicos ainda preveem que até o fim do ano a cotação estará por volta de 4,80 a 4,90, mas ninguém aposta em ultrapassar novamente a barreira dos 5,00.

Como tudo que sobe desce, neste contexto surge a demanda de uma redução de preços dos materiais indiretos.

Ocorre que as cadeias de suprimentos não seguem as leis da gravidade, e como acontece em outros setores como alimentos e combustíveis, a alta de preço ocorre de forma imediata, mas sua redução é gradativa, e sua velocidade vai variar de empresa para empresa e de setor para setor.

Isso se deve ao efeito chicote das cadeias de suprimentos, em que estoques com preços mais altos precisam ser consumidos para então serem comprados novos lotes com preços eventualmente menores.

Os aumentos não se comportam da mesma forma. Embora o custo do item seja o valor pago por ele por ocasião da compra, seu preço deve ser calculado com base no valor necessário para continuar comprando esse mesmo item no futuro.

 Em situação de incertezas econômicas como as que vivemos, os preços tendem a subir mais rápido, como uma forma das empresas se protegerem do risco de não saber até onde este preço vai, e desta forma já aplicam o reajuste com base no que projetam que irão pagar no futuro, e não com base no custo que tiveram da compra no passado.

 A velocidade desta queda, portanto, vai depender da venda desses estoques, mas também da aplicação de descontos no preço de cada elo da cadeia de suprimentos.

Vai depender também de fatores internos e externos de cada empresa que faz parte da cadeia de suprimentos de um item, que faz com que os descontos sejam concedidos em proporção e velocidades diferentes.

Redução de preços de uma determinada matéria prima pode desaparecer em meio a outros aumentos, como de mão de obra, ou combustíveis, por exemplo.

A competividade de um determinado setor também determina a velocidade dessa redução. Setores com maior concorrência tendem a repassar esses preços mais rápido, enquanto setores menos competitivos tendem a demorar mais, e em alguns casos ao invés de descontos, o que se tem são períodos mais longos entre um reajuste e outro.

De forma geral o senso comum pensa em termos econômicos de forma intuitiva, e com a variação de preços não é diferente. No entanto, a economia é uma ciência humana, muito diferente das ciências naturais. Enquanto nesta tudo que sobe desce, naquela nem sempre.

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