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O Conservadorismo e a Inovação

Há algum tempo escutamos falar sobre inovação e ideias disruptivas em vários setores. Novas empresas surgem a todo dia com esta proposta, de prosperarem a partir de uma ideia inovadora. O principal atributo de quem busca esta jornada é sem dúvida adquirir o hábito de “pensar fora da caixa”. E para que suas ideias prosperem há de se ter um ambiente que promova e discuta a inovação de forma consistente e aberta.

Tenho percebido entretanto em minha nova jornada de empreendedor, e em especial nas empresas tradicionais, um modelo muito comum que é a inovação de fora para dentro. Explico: Percebo times e gestores mais engajados, como de costume, em manter seu dia a dia em ordem, mantendo suas metas e o resultado de curto prazo como sua maior prioridade. Não consigo perceber uma agenda robusta de inovação ancorada em ideias realmente disruptivas ao status quo corporativo dominante.

O que mais tenho percebido é a incorporação de soluções inovadoras depois que estas sejam testadas e implantadas primeiro em outras empresas. E a isso, tomei a liberdade de conceituar aqui como inovação de fora para dentro, onde ideias realmente inovadoras são geradas e viabilizadas por outras empresas, comumente startups, e depois de muito desafiadas são enfim utilizadas pelas empresas tradicionais.

Um bom exemplo disso está na jornada de inovação que venho me dedicando neste momento. Junto a outros colegas empreendedores, todos com larga experiência na gestão de fornecedores, desenvolvemos uma solução digital para análise de risco de empresas, o Banian. Em nossa recente abordagem a muitos clientes potenciais percebemos, por exemplo, como empresas tradicionais se prendem a análise das DREs de seus fornecedores como forma de se realizar a avaliação de sua saúde financeira.   

Por mais que se explique que pequenas e médias constroem seus balanços internamente, tendo este documento sido assinado pelos próprios sócios, onde com certa frequência também não foram avaliados por nenhuma auditoria externa (o que per si já insere um conflito de interesses), as tais empresas tradicionais não costumam abrir mão deste procedimento. Indo além, mesmo os balanços das grandes empresas fornecedoras não são a prova de bala, vide o recente caso Americanas. Há quem diga por ai que o caso Americanas seria apenas a ponta do iceberg, onde outras empresas com gestão de resultados agressiva também foram por este caminho. O tempo dirá se os rumores são verdadeiros ou não.

Ocorre que hoje as soluções de big data já oferecem uma leitura bastante precisa da situação fiscal e tributária de empresas, porém aqui percebemos existir um certo conservadorismo neste procedimento de análise financeira.

Retirar o procedimento de avaliação destes documentos da rotina da tais empresas não é tarefa fácil, até porque teríamos que convencer muitos profissionais de competências ligadas a gestão de risco corporativo, que existem métodos mais assertivos e que minimizam o risco de fraude na realização desta análise. Quando se trata de avaliar riscos, ao que parece, o tradicional fala mais alto do que a disrupção.

Apenas claro, um exemplo dentre muitos que evidenciam que ainda hoje, percebemos profissionais de grandes empresas demonstrando estar mais focados no modelo “comando & controle” do que pensando o negócio e buscando ideias para inovar e irem além.

Talvez estejamos ainda no meio do caminho desta jornada de transformação de um modelo tradicional de gestão corporativa para um outro realmente novo. Quem sabe seja necessário termos menos metodologias sendo discutidas aqui e ali e mais prática e experimentação verdadeira em campo por parte dos times e dos gestores.

E para finalizar, espero que os líderes destas empresas deixem também uma margem para que seus liderados assumam o protagonismo de ideias e sejam estimulados a pensarem sempre o novo e assim passem a ser capacitados à levar a disrupção e a verdadeira inovação nestas empresas à um nível mais elevado. Afinal de contas, ideias podem e devem nascer da mente de cada colaborador da empresa, sem amarrações a hierarquias ou restrições de cargo e área de atuação.

Procurement Club

Think Tank Of Procurement

2 comentários
Walter Freitas
Walter Freitas Comentou em 21 de agosto de 2023
Muito pertinente estas colocações André. Tem uma questão cultural para esta mudança acontecer e as lideranças devem ter protagonismo nisso.
Walter Freitas
Walter Freitas Comentou em 21 de agosto de 2023
Muito pertinente estas colocações André. Tem uma questão cultural para esta mudança acontecer e as lideranças devem ter protagonismo nisso.

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