Um dos temas mais polêmicos e discutidos nas empresas em geral é o seu programa de avaliação de desempenho associado a performance dos seus profissionais.
Olhando essa questão por uma ótica ainda mais abrangente podemos colocar aqui em perspectiva a atribuição do mérito associado a remuneração de profissionais de diversos setores, empresas e áreas diferentes.
Neste contexto gostaria de citar aqui um trabalho sério feito pelo professor de Direito da Universidade de Yale, Daniel Markovits, sobre meritocracia.
Markovits, que escreveu um livro sobre o assunto chamado “The Meritocracy Trap”, faz críticas a este modelo que segundo ele é ruim até mesmo para as elites.
E continua:
“O problema do mérito na nossa sociedade é que se tornou um sistema fechado e auto sustentável em que ocorre o seguinte: as elites dão educação aos seus filhos de uma maneira que ninguém mais consegue pagar. Aí as pessoas que tem acesso a esta educação transformam o mercado de trabalho de forma que os trabalhos que pagam os melhores salários são exatamente os que exigem as habilidades que só a educação mais cara proporciona”.
Daniel Markovits
Uma outra visão interessante sobre este tema, também citada por Markovits, é uma pesquisa feita por economistas no Reino Unido sobre o retorno percebido pela sociedade sobre os serviços prestados por vários profissionais de diferentes áreas. A pesquisa mostrou que para profissionais como lixeiros, professores, cuidadores ou enfermeiros, para cada 1 libra paga de salário a sociedade tem 10 libras de retorno.
Por outro lado existe também a percepção da sociedade que o salário de profissionais como banqueiros e advogados do setor privado são maiores que seu benefício para a mesma sociedade. Ou seja, a percepção dos entrevistados nesta pesquisa é que trabalhadores de serviços menos qualificados produzem mais benefícios sociais do que os demais porém tendo seus salários como os menores observados. Já para alguns profissionais que são extremamente bem remunerados a sociedade teria uma percepção de retorno social menor.
Seria este um ponto de partida para repensarmos os salários dos profissionais de hoje? A percepção do coletivo quanto a importância de seus serviços?
Voltando aqui a nosso mundo corporativo, além dos já mencionados programas de desempenho e avaliação de resultados, o que dizer das diferenças salarias percebidas entre os diversos profissionais de uma empresa.
Parece existir um degrau imenso de remuneração quando olhamos as organizações pelos seus níveis hierárquicos.
Novamente estamos falando em meritocracia, afinal profissionais com mais responsabilidades possuem em geral maior remuneração, por mérito.
Tudo isso muito justo, claro. Porém qual seria um multiplicador razoável de remuneração que pudesse traduzir de forma justa este aumento de responsabilidade e performance e assim bonificar estes profissionais adequadamente?
Apenas como referencia, existem empresas no Brasil que um CEO chega a ganhar até 600 vezes mais do que a média dos salários de todos os demais funcionários da empresa.

Será que alguém é capaz de entregar tanto valor a uma empresa que seria justo pagar uma remuneração com tamanho descolamento frente aos demais profissionais da mesma empresa?
Afinal de contas qual seria o melhor modelo de remuneração (ainda a ser pensado) onde quem sabe poderíamos observar a convergência entre distribuição de renda, justiça social e mérito?
Isso seria possível? Ou são atributos fadados a serem eternamente incompatíveis?
E você? O que acha a respeito?
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