A diversidade vem da nossa capacidade de incluir tudo aquilo que é diferente do que nosso cérebro conhece e está acostumado...
Você já ouviu falar que nosso cérebro é feito de conexões neurais que formamos durante nossas vidas? Imagino que sim.
Baseadas em experiências como somos criados e ao que somos expostos desde a infância, criamos nossas percepções de mundo e nossos julgamentos sobre todas as coisas. E, então, essas percepções são as que usaremos para tomar decisões durante toda a nossa existência nesse mundo.
Situações em que nosso cérebro age no "piloto automático"
Nosso cérebro funciona independentemente da nossa vontade. E é por isso que fazemos coisas “no automático”, muitas vezes, sem nos darmos conta; por exemplo quando usamos o metrô – ou qualquer outro transporte. Já se deu conta de que você vai sempre para o mesmo lugar da plataforma, entra no mesmo vagão, perto – ou longe – da mesma escada? Isso acontece porque você experimentou aquilo por algumas vezes e concluiu que, por exemplo, aquele é o vagão mais vazio, ou o caminho mais curto para a escada rolante.
Imagine uma outra situação: você entra naquele restaurante por quilo que tanto gosta e, a primeira coisa que vê é o buffet de saladas. Ele está lá, lindo, diverso, com todos os tipos de vegetais e legumes… Dois tipos de alface, três de tomate, tem também pimentão, beterraba e muito mais. Bonito de se ver. Colorido, diverso. Mas, sem perceber, você se serve do mesmo tipo de alface de sempre, a mesma quantidade de tomates, ignora a beterraba e segue em frente. E, então, senta-se na mesma mesa, já que chegou na mesma hora, como de costume.
Onde começam os conflitos de vieses?
Experiências como essas acontecem sem decidirmos racionalmente. Você simplesmente teve uma boa experiência com essa rotina e, então, segue repetindo. E, se eu te perguntar do porque você faz sempre isso, provavelmente vou escutar uma teoria completa a respeito. Talvez eu retruque com a minha própria teoria, que possivelmente é diferente da sua. E, então, começaremos nosso conflito de vieses.
Isso não acontece porque somos maus ou seres humanos que querem divergir. Acontece simplesmente porque somos humanos e vieses são a coisa mais humana que pode existir.
E o que viés tem a ver com diversidade e as minhas duas histórias? Absolutamente tudo.
Parece inofensivo o nosso hábito de comer o mesmo (a salada) e seguir fazendo as mesmas coisas (como no metrô). Porém, por não diversificar nossa alimentação, é possível que nosso organismo esteja em falta com relação a algum nutriente ou que, por não testar outro vagão, deixemos de vivenciar outras experiências.
Não escolhemos não nos alimentar de forma balanceada de propósito. Assim como não resolvemos conscientemente deixar a beterraba de lado "só para nos revoltarmos contra o sistema". Isso é “coisa” do nosso cérebro. Esse é nosso viés inconsciente. E, aqui, é onde tudo se conecta.
No caso dos dois exemplos anteriores, possivelmente qualquer prejuízo que cause será apenas a si próprio. Um viés que afeta apenas a si mesmo, sem maiores – ou óbvios – prejuízos para outros.
Viés e Diversidade - Como conciliar as coisas em prol do respeito ao diferente?
Agora, te convido a imaginar uma outra situação: você está entrevistando um candidate para uma vaga em sua empresa. Ao ler o currículo dessa pessoa, percebe que elie estudou em uma instituição que você não acredita ser boa. Seu cérebro vai buscar suas memórias e concepções sobre aquele lugar e, sem que você perceba, o viés está ali. Possivelmente, você deixará o currículo de lado.
O mesmo acontece no oposto. Em outra situação, você se depara com um candidate que estudou na mesma escola que você. Imediatamente, você cria conexão, pois acredita que aquela escola é muito boa, afinal, você é um profissional muito competente. É imediata a sua conexão com e candidate. Possivelmente, essa pessoa ganhou uma “estrelinha” nas suas avaliações. Somos seres que buscamos similaridades e aí é que o viés inconsciente começa a afetar terceiros.
Vieses se apresentam como ruins quando eles nos impedem de nos expor ao diferente. Quando nos protege de diversificar, de tentar algo completamente diferente do nosso juízo de valor. Nesse exemplo, pode ser que e melhor candidate fique de fora, por causa do viés.
Diversidade vem da nossa capacidade de incluir e tentar aprender sobre tudo aquilo que é diferente ao que nosso cérebro conhece. O respeito a diversidade nos tira da zona de conforto do que estamos acostumados e nos torna capazes de ouvir e criar empatia com pessoas diferentes e que tenham opiniões diferentes das nossas. Ter consciência disso é o primeiro passo para a sustentabilidade desse movimento de inclusão que vivemos agora.
Confrontar o que acreditamos ser a verdade sobre as coisas é o primeiro, e fundamental, caminho para iniciarmos a verdadeira jornada da diversidade.
Jamais deixaremos de ter vieses e está tudo bem. Não somos pessoas más por causa disso. Imprescindível é, tomarmos consciência da nossa humanidade, e passarmos a ter sérias conversas com nós mesmos, a todo momento em que notarmos que nossos pré-conceitos estão nos impedindo de conceber um mundo mais justo.
Um passo de cada vez, a caminho da diversidade que vire a verdadeira inclusão. Está com você, o poder de decidir caminhar esse caminho. Se decidir por essa estrada, conte comigo para caminhar lado a lado com você.
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