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Banco Central do Brasil emite primeiros Reais Digitais: Quais são os impactos na nossa vida e no Metaverso?

Os criptoativos, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), são “tokens”, ou seja, ativos representados digitalmente, protegidos por criptografia, que podem ser objeto de transações executadas e armazenadas por meio de tecnologias de sistemas de registro em cadeias de blocos distribuídos (distributed ledger technology – DLTs ou “blockchains”), e podem desempenhar diversas funções, classificadas de acordo com as seguintes categorias:

  • Token de Pagamento (cryptocurrency ou payment token): busca replicar as funções de moeda, notadamente de unidade de conta, meio de troca e reserva de valor;
  • Token de Utilidade (utility token): utilizado para adquirir ou acessar determinados produtos ou serviços; e
  • Token referenciado a Ativo (asset-backed token): representa um ou mais ativos, tangíveis ou intangíveis. São exemplos os “security tokens”, as stablecoins, os non-fungible tokens (NFTs) e os demais ativos objeto de operações de “tokenização”.

Nesta quinta-feira, 20 de outubro de 2022, o Banco Central do Brasil emitiu, experimentalmente, as primeiras unidades do Real digital, que são “stablecoins”, ou seja, uma moeda de valor estável, onde 1 Real virtual equivale a 1 Real real físico. Isso faz com que ele seja diferente de criptoativos como bitcoin ou ethereum, cujas cotações oscilam. Os reais foram emitidos em um ambiente de teste, no Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT).

E o que isso muda na nossa vida? Muito!

O Real digital terá uma diferença muito importante, principalmente no sistema bancário nacional. Todas as transações anteriores – Pix, cartões ou débitos automáticos – necessitam de uma “autenticação” bancária centralizada. Pode ser uma conta corrente ou conta-poupança em um banco, pode ser uma conta de pagamentos em uma instituição de pagamentos. Isso não valerá para a nova moeda. “O real digital ficará em ‘wallets’ e será transacionado entre elas”, diz Carolina Gladyer Rabelo, diretora da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), entidade que reúne 115 instituições financeiras e de pagamentos, além de cooperativas de crédito. “As transações não necessariamente terão de passar pelos bancos.”

Ou seja, para ser portador de um Real digital, não será necessário ter acesso a um banco! Basta ter um aplicativo (APP) que armazene este Real digital no seu celular (smartphone) e pronto!

Isso representa uma mudança muito mais profunda do que a introdução do Pix. O sistema de remessas instantâneas e gratuitas (ou quase) é intermediado pelo Banco Central. Mesmo assim, as transações ainda trafegam pelo sistema financeiro. No caso do Real digital, um usuário que tenha um celular com conexão à internet, ou mesmo via bluetooth, poderá receber recursos e fazer pagamentos e transações financeiras, sem ser cliente de um banco.

Neste sentido, as criptomoedas, que são ativos digitais, descentralizados e que utilizam a tecnologia Blockchain como base tecnológica para sua existência e pulverização, interagem muito bem no universo digital chamado Metaverso.

Falando em Metaverso, a melhor definição a respeito desta nova fronteira é que se trata de um ambiente digital, no qual os indivíduos podem usufruir por meio de diferentes tipos de tecnologias, interagindo e alternando, simultaneamente, entre o mundo físico e o digital. Partindo desta premissa, trata-se de um território totalmente inexplorado em sem regulação, cujas interferências humanas podem influenciar o comportamento de outros usuários, bem como induzir modificações na própria plataforma tecnológica, através de metodologias de inteligência artificial e machine learning. Ou seja, trata-se de um ecossistema digital em constante mutação, que influencia e interage com seres humanos, sem qualquer tipo de fronteira. E é neste contexto que é necessário entender, interpretar e até mesmo impor regulações e limites, para que fraudes, abusos e assédios sejam identificados e evitados. Por fim, neste ambiente virtual, também é possível que partes venham a celebrar vínculos jurídicos, constituindo direitos, obrigações e deveres e, assim sendo, é necessário decifrar e criar formas de aplicar sistemas de resolução de disputas ou jurisdição, a fim de executar estes vínculos jurídicos.

E, neste contexto, é possível concluir que o Banco Central estaria dando os seus primeiros passos para poder utilizar o Real dentro das plataformas de Metaverso! Com o Real Digital, é possível efetuar transações financeiras via Blockchain nos ambientes digitais, sem a necessidade de utilizar uma instituição financeira. Ou seja, é dinheiro sendo aplicado e utilizado diretamente nas plataformas digitais, de forma descentralizada, sem a necessidade de ser homologado por instituições financeiras.

É o Brasil, preparando a sua moeda nacional para atuar nas plataformas digitais do futuro!

Fonte: https://forbes.com.br/forbes-money/2022/10/bc-emite-primeiros-reais-digitais-entenda-como-isso-afeta-sua-vida/

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